Um dos grandes profetas da tecnologia moderna, Sir Arthur C. Clarke morreu na última terça (18/03) aos 90 anos de idade em Sri-Lanka. Autor de mais de 100 livros, ele ganhou fama mundial quando Stanley Kubrick usou seu pequeno conto “O Sentinela” como base para o filme “2001: Uma Odisséia no Espaço“. Depois disso, o mundo nunca mais seria o mesmo.
Confesso que nunca fui leitor assÃduo de Clarke, mas uma faceta que sempre me fascinou nele era sua visão racional (e até um pouco demasiada) do mundo e da tecnologia.
Eu me lembro de num documentário onde Clarke queria mostrar como Percival Lowell conseguiu de seu observatório na Terra, mapear um complexo sistema de canais em Marte que, de um certo modo, nunca existiram.
Clarke montou uma experiência com um grupo de alunos de uma escola primária e pediu para cada um deles desenhar o que viam na foto de um planeta pregado no quadro negro, que era mais ou menos a mesma imagem (na mesma escala e condições precárias) que Lowell tinha de Marte do seu telescópio, ou seja, uma bolinha meio enevoada. O curioso é que alguns alunos chegaram a ver e até desenhar algumas linhas muito parecidas com as anotações de Lowell, ou seja, sua crença, apesar de incorreta, tinha algum fundamento. Digamos que ele só forçou um pouquinho a barra — e quem não faria depois de torrar uma fortuna para construir em 1894, um observatório no topo de uma montanha no Arizona só pra ver Marte? ;^)
Meu pensamento favorito de Clarke vem de uma declaração que ele fez ao documentário “Stanley Kubrick - Imagens de Uma Vida“, onde ele disse que para cada ser humano vivo da terra existem pelo menos 30 fantasmas atrás dele, referindo-se a relação de pessoas vivas e que já viveram nesse planeta — uns 100 bilhões.
100 bilhões também é o número aproximado de estrelas na Via Láctea e como podem haver planetas orbitando cada um desses astros, não é interessante imaginar que existe um planeta inteiro para cada pessoa que já existiu nesse mundo?
Far out, man! ;^)
2 comentários
angelico
20 March, 2008 às 2:52 pm
1“Em 1945 … ele publica … (Extraterrestrial Relays), “Reles Extraterrestres”, que fala sobre o papel técnico dos princÃpios da comunicação de satélites com órbitas geoestacionárias numerosas, ele estudou muito este assunto e foi um dos pioneiros em criações de satélites de comunicação deste tipo esta sua descoberta lhe rendeu várias honras cientÃficas. Hoje a órbita geoestacionária em 42.000 km é nomeada a Órbita de Clarke pela União de Astronômica Internacional.”
Fonte: http://www.din.uem.br/ia/a_correl/classicos/Pesquisadores-Clarck.htm
Se não fosse ele não terÃamos hoje os gps, tv via satélite…
Adeus Clarke…
Robinson
20 March, 2008 às 3:18 pm
2Gostei de uma frase, publicada ontem pela Folha, atribuÃda a Clark, e que é mais ou menos assim: “Se há vida inteligente fora da Terra? Acredito que há. E que eles são inteligentes o bastante para não virem até aqui.”
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